Legend – Resenha

Todo mundo sabe que o gênero distópico é a nova galinha dos ovos de ouros da literatura atual. Jogos Vorazes apareceu para confirmar e abrir as portas para isso. Mas um livro, o primeiro de uma série, que eu descobri recentemente e que me conquistou verdadeiramente é este: Legend.

Título: Legend (Legend)
Autora: Marie Lu
Editora: Prumo
Sinopse: O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

Talvez não seja uma boa ideia começar uma resenha com tamanha euforia, afinal não quero que ninguém ouse se decepcionar com este livro. Mas não consigo. Legend é o melhor livro que eu li em 2012 (o ano nem acabou, mas sei que não há como outro livro me conquistar tanto quanto este), um dos melhores que li na vida e certamente está agora entre as minhas cinco séries favoritas. Fazia muito tempo, mas muito tempo mesmo, que um livro não me deixava tão envolvido e me prendia tanto como Legend.

A história se passa em 2130, no que antes era o ocidente dos EUA, que agora estão divididos em duas nações: a República e as Colônias. Não se sabe o que exatamente levou a essa mudança, sabe-se apenas que houve desastres naturais no passado. O funcionamento da sociedade não é diretamente explorado, mas é assim que Legend funciona: conhecendo os protagonistas, conhecemos a sociedade.

Dois personagens se revezam a cada capítulo para contar, a partir de seu ponto de vista, a história de Legend: Day Wing e June Iparis. Marie Lu conseguiu criar dois protagonistas tão humanos (no sentido intrínseco da palavra) que você tem que reconhecer os ideais, mesmo que contrários ao correto, a que ambos vez ou outra se agarram. Enquanto Day é o povão, June é a República. Day se tornou facilmente um dos meus personagens preferidos da literatura: o cara é simples, decidido, sabe se impôr e comanda! Já June, inicialmente, teve todo o meu ódio. Sei que ela tem como base os conceitos que a República lhe passou durante toda sua vida e foi nisso que ela sempre acreditou, mas não dá para gostar dela quando, por exemplo, ela não percebe que seus atos vão levar à morte de uma pessoa próxima a Day!

Entretanto, como June é a personagem influenciada pelo governo, é nela que vemos as maiores transformações internas entre todos os personagens. Aos poucos e a partir das investigações em que ela decide se envolver, June vê que muito do que ela acreditava ser bom ou correto é na verdade apenas bom ou correto de acordo com as necessidades do governo da República, que é um grande filho da mãe. Além de manter uma política rigorosa contra as Colônias e os Patriotas, impõe uma divisão social baseada nas Provações (tradução livre para “Trials”), para as quais as crianças da República se preparam até os dez anos de idade e, caso sejam aprovadas, podem ter um futuro promissor nas melhores universidades da nação; caso reprovem, não terão absolutamente nenhuma perspectiva de vida.

Além de Day e June, somos apresentados a diversos outros personagens, como a inocente Tess, o maria-vai-com-o-governo Thomas, a comandante Jameson, os irmãos John e Eden… Este primeiro livro da trilogia Legend não tem um extenso número de personagens, o que é um ponto positivo, já que assim sobram mais páginas para conhecermos e adorarmos e odiarmos e torcemos e mandar para a ponte que caiu todas essas pessoas.

Legend tem um ritmo veloz e até mesmo os capítulos em que nada acontece deixam o leitor sedento pela próxima página. Em diversas ocasiões, Marie Lu escreveu cenas que eu não consegui digerir, o que me lembrou o que Suzanne Collins fez com dois personagens em A Esperança. São momentos que pegam você de surpresa, são rápidos e você não consegue acreditar no que acabou de acontecer! Não fiquei revoltado com a Marie como muita gente ficou com a Suzanne (nem com esta eu fiquei revoltado), mas ainda me pergunto: por que você fez isso, Marie Lu?!

Eu estou apaixonado pelo livro – com certeza esta resenha não consegue expressar como Legend conseguiu me conquistar. Eu estou mais do que ansioso para ler Prodigy, a continuação, que, caramba, só sairá em 2013! Eu quero que todo mundo tenha o prazer de ler um livro tão bom quanto este. Para mim, Legend é definitivamente uma lenda!

Classificação Geral: [rating=5]

4 Comentários

  1. Thaís disse:

    Nossa, que legal! Agora fiquei com mais vontade ainda de ler o livro! Porém, no momento terei de me contentar com o querido João Cabral de Melo Neto e outros grandes escritores brasileiros, até que o vestibular passe.

    Legend está definitivamente na minha wishlist!

  2. Eu já havia lido uma resenha de Legend antes e fiquei bastante interessada, depois dessa aqui… digamos que agora eu quero muito que esse livro venha para o Brasil!
    Os distópicos estão mesmo na moda, mas é uma moda boa, já que muitos livros realmente bons foram lançados por causa dela :D

    beijos!

  3. Lucas disse:

    Eu tinha, uma galinha, que se chamava Marie Lu.
    Essa música me veio a cabeça.

  4. Lucas disse:

    Eu gostei da resenha e acho que vou ler o livro.
    Acredito que vou gostar de lê-lo.

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