Blog Archives for category Das páginas para as telas
Das páginas para as telas #21
O Das páginas para as telas desta semana seguirá um caminho diferente dos textos anteriores da coluna. Em vez de analisar os livros e suas adaptações, vou analisar os livros e contar o que eu espero ou como poderia funcionar uma possível e futura adaptação. Para começar, vou falar de um livro cujo gênero odeio, mas que me conquistou tanto que é o único romance que eu realmente amo: Calafrio. Título: Calafrio (Shiver) Autor: Maggie Stiefvater| Editora: Agir Sinopse: Quando chega o inverno, Grace é atraída pela presença familiar dos lobos que vivem no bosque atrás de sua casa. Ela espera ansiosamente pelo frio desde que fitou pela primeira vez os profundos olhos amarelos de um dos lobos e sobreviveu ao ataque de uma alcateia. Esses mesmos olhos brilhantes ela encontraria mais tarde em Sam, um rapaz que cresceu vivendo duas vidas: uma normal, sob o sol, e outra no inverno, quando vestia a pele do animal feroz que, certa vez, encontrou aquela garota sem medo. Tudo o que Sam deseja é que Grace o reconheça em sua forma humana, e para isso bastaria que trocassem um único olhar. Mas o tempo de Sam está acabando. Ele não sabe até quando manterá a dupla aparência e quando se tornará um lobo para sempre. Enquanto buscam uma maneira para torná-lo humano para sempre, têm de enfrentar a incompreensão da cidade, que vê nos lobos um perigo a ser combatido. A época dos livros com temáticas sobrenaturais, em especial os que tratam de vampiros e lobisomens, acabou. Ou pelo menos está perto do fim. Em meio a tantos sucessos literários (desmerecidos, na minha opinião), achei que não haveria um que realmente me agradasse. Mas foi então que encontrei um determinado livro cuja capa era tão bonita, simples e efetiva. Resolvi dar chance a ele, mesmo sabendo que fazia parte do gênero que eu mais detesto. E ele conseguiu se tornar o único romance do qual sou fã.
Das páginas para as telas #20
São muitos os livros que ganham adaptações para o cinema ou para a televisão, mas são poucos os que conseguem atrair a grande atenção do público. Harry Potter foi o primeiro. Crepúsculo veio em seguida. Percy Jackson tentou. Agora é a vez de Jogos Vorazes, que, posso adiantar, ganhou uma das melhores adaptações até o momento. Título: Jogos Vorazes (The Hunger Games) | Autora: Suzanne Collins Editora: Rocco Sinopse: Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com os Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido Distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes? Ao contrário dos atuais best-sellers, Jogos Vorazes não tem seres sobrenaturais: não tem vampiros, não tem lobos, não tem anjos, não tem zumbis… Jogos Vorazes tem pessoas. E esse é o ponto forte não só do primeiro livro, mas de toda a trilogia. Suzanne Collins sabe trabalhar muito bem o lado humano e particularmente instintivo do ser humano, além de possuir uma forma de escrita que flui muito bem e uma protagonista diferente das que estampam os sucessos literários mais recentes. Katniss Everdeen não é apaixonadamente burra, imbecil, manipulável e frágil. Katniss sabe se impor e pensa por si própria. É uma personagem pela qual a gente verdadeiramente torce e com a qual a gente se identifica.
Das páginas para as telas #19
Antes de falar sobre Jogos Vorazes, que não poderia deixar de ser o tema do próximo Das Páginas para as Telas, vou abordar uma obra literária que, como já foi dito pela própria Suzanne Collins, serviu de inspiração para a criação da sua distopia: 1984. Título: 1984 (1984) Autora: George Orwell Editora: Companhia das Letras Sinopse: Winston vive aprisionado na engrenagem totalitária de uma sociedade completamente dominada pelo Estado, onde tudo é feito coletivamente, mas cada qual vive sozinho. Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico. A ideologia do Partido dominante em Oceânia não visa nada de coisa alguma para ninguém, no presente ou no futuro. O’Brien, hierarca do Partido, é quem explica a Winston que só interessa o poder em si. Nem riqueza, nem luxo, nem vida longa, nem felicidade: só o poder pelo poder. Algumas das ideias centrais do livro dão muito o que pensar até hoje, como a contraditória Novafala imposta pelo Partido para renomear as coisas, as instituições e o próprio mundo, manipulando a realidade. Afinal, quem não conhece hoje em dia ministérios da defesa dedicados a promover ataques bélicos a outros países, da mesma forma que, no livro de Orwell, o Ministério do Amor é o local onde Winston será submetido às mais bárbaras torturas nas mãos de seu suposto amigo O’Brien. Distopias são fascinantes, mais até do que as utopias, porque, diferentemente destas, que idealizam uma sociedade, as distopias abordam uma civilização possível, servem de alerta para o que a sociedade atual pode se tornar num futuro até bastante próximo. E 1984 não é diferente. George Orwell cria uma sociedade tão palpável que acaba se tornando assustadora. Essa última frase parece clichê, mas não é. Está tudo ali: um novo regime sócio-econômico, uma nova língua, uma nova configuração geopolítica… E o mais importante: o autor explica como e por que essa nova sociedade se formou.
Das páginas para as telas #18
Primeiramente, peço desculpas pela ausência de quase cinco meses no Leiturinhas. Os últimos meses de 2011 foram corridos demais por causa da faculdade e as férias foram tão bem aproveitadas que negligenciei a coluna e o blog. Desculpas. Mas, como diz o Timão em O Rei Leão, você tem que deixar o passado para trás. Para começar esse retorno do Das páginas para as telas, vou falar de uma série que é bastante elogiada e conhecida em todo o mundo, mas que, por mais que eu tentasse, não conseguiu me agradar tanto quanto o fez com outras pessoas: As Brumas de Avalon. Título: As Brumas de Avalon (The Mists of Avalon) Autora: Marion Zimmer Bradley Editora: Imago Sinopse: Guinevere se casou com Artur por determinação do pai, mas era apaixonada por Lancelote. Ela não conseguiu dar um filho e herdeiro para o marido, o que gera sérias consequências políticas para o reino de Camelot. Sua dedicação ao cristianismo acaba colocando Artur, e com ele toda a Bretanha, sob a influência dos padres cristãos, apesar de seu juramento de respeitar a velha religião de Avalon. Além da mãe de Artur, Igraine, e de Viviane, a Senhora do Lago – que é a Grande Sacerdotisa de Avalon -, uma outra mulher é fundamental na trama: Morgana, a irmã de Artur. Sendo uma sacerdotisa de Avalon, ela tem a Visão, o que a transforma em uma mulher atormentada. Trata-se, acima de tudo, da história do conflito entre o cristianismo, representado por Guinevere, e da velha religião de Avalon, representada por Morgana. Ao acompanhar a evolução da história de Guinevere e de Morgana, assim como dos numerosos personagens que as cercam, acompanhamos também o destino das terras que mais tarde seriam conhecidas como Grã-Bretanha. Medievalismo. Religião. Batalhas. Sexo. Rituais. Ficção misturada à realidade. Como não gostar disso? As Brumas de Avalon tem todos esses elementos, então já teria previamente um lugar reservado no lado esquerdo do meu peito, certo? Errado. Apesar de esses aspectos serem bem trabalhados ao longo dos quatro volumes que compõem a saga mais famosa da autora Marion Zimmer Bradley, os livros, que são infinitamente menores do que, por exemplo, os três de O Senhor dos Anéis ou os cinco até agora publicados de As Crônicas de Gelo e Fogo, são absurdamente mais chatos do que essas duas séries citadas. Juntas. Falo sério. Levei um mês para ler os quatro livros, o que é muito, porque cada um tem pouco mais de 200 páginas, algo que eu leria em dois dias, finalizando a série em oito. Foi uma leitura tão cansativa que, ao final, achei que não conseguiria ler mais nada. E foi esta a sensação que As Brumas de Avalon me deixou: não queria mais ler livro algum!
Das páginas para as telas #17
Dessa vez a coluna não está sendo feita pelo Arthur. Como é um filme baseado em um dos meus livros favoritos, resolvi escrever a coluna dessa segunda-feira. Título: Um Dia Autor: David Nicholls | Editora: Intrínseca Sinopse: Dexter Mayhew e Emma Morley se conheceram em 1988. Ambos sabem que no dia seguinte, após a formatura na universidade, deverão trilhar caminhos diferentes. Mas, depois de apenas um dia juntos, não conseguem parar de pensar um no outro. Os anos se passam e Dex e Em levam vidas isoladas – vidas muito diferentes daquelas que eles sonhavam ter. Porém, incapazes de esquecer o sentimento muito especial que os arrebatou naquela primeira noite, surge uma extraordinária relação entre os dois. Ao longo dos vinte anos seguintes, flashes do relacionamento deles são narrados, um por ano, todos no mesmo dia: 15 de julho. Dexter e Emma enfrentam disputas e brigas, esperanças e oportunidades perdidas, risos e lágrimas. E, conforme o verdadeiro significado desse dia crucial é desvendado, eles precisam acertar contas com a essência do amor e da própria vida. Eu esperei por esse filme por cerca de seis meses. E foram longos dias esperando ansiosamente por Dex & Emma. Ainda que tenha sido muito complexo escrever sobre o livro, talvez seja mais fácil agora. Se você não conhece a história, eu sugiro ler minha resenha do livro antes de continuar. Jim Sturgess, esse inglesinho lindo, conhecido por seu papel em Across the Universe, dá vida a Dexter Mayhew, personagem com quem vivi algumas horas de amor e ódio. Enquanto no livro o ódio por Dexter é crescente até determinado momento, pois o vemos sempre fazer coisas erradas, uma atrás da outra, no filme isso não é bem possível e talvez esse seja um grande defeito da adaptação. Infelizmente os 107 minutos do filme não são capazes de fazer o espectador conhecer tão bem os personagens.



























