Imagine uma sociedade na qual todas as engrenagens funcionam perfeitamente. As pessoas sabem o dia em que vão conhecer seu cônjuge, o dia de seu casamento, quantos filhos terão, e até o dia de sua morte. Nessa Sociedade, as pessoas começam a trabalhar cedo, enquanto descobrem, através de sistemas de classificação, sua verdadeira vocação.
Elas também não precisam se preocupar com dinheiro. Suas casas, oferecidas pela Sociedade, tem tudo que elas precisam, inclusive comida na hora certa e roupas adequadas a cada situação, desde exercícios físicos a roupas comuns, para o dia-a-dia.
Essa é a Sociedade em que se passa Destino (Matched), da Ally Condie, lançado aqui no Brasil pela Suma das Letras.
Título: Destino
Autora: Ally Condie | Editora: Suma das Letras
Sinopse: Cassia tem absoluta confiança nas escolhas da Sociedade. Ter o destino definido pelo sistema é um preço pequeno a se pagar por uma vida tranquila e saudável, um emprego seguro e a certeza da escolha do companheiro perfeito para se formar uma família.Ela acaba de completar 17 anos e seu grande dia chegou: o Banquete do Par, o jantar oficial no qual será anunciado o nome de seu companheiro. Quando surge numa tela o rosto de seu amigo mais querido, Xander – bonito, inteligente, atencioso, íntimo dela há tantos anos –, tudo parece bom demais para ser verdade.
Quando a tela se apaga, volta a se acender por um instante, revelando um outro rosto, e se apaga de novo, o mundo de certezas absolutas que ela conhecia parece se desfazer debaixo de seus pés.
Agora, Cassia vê a Sociedade com novos olhos e é tomada por um inédito desejo de escolher. Escolher entre Xander e o sensível Ky, entre a segurança e o risco, entre a perfeição e a paixão. Entre a ordem estabelecida e a promessa de um novo mundo.
Eu recebi no sábado a prova de leitura (mas só peguei ontem) e devorei o livro como há muito tempo não fazia. A prova do livro, em espiral, veio com três balinhas coloridas: uma verde, uma azul e uma vermelha. Eu explico! Todos os habitantes da Sociedade carregam um frasco com três comprimidos.
O azul serve para nutrir as pessoas quando elas precisam ficar muito tempo sem se alimentar. É composto de nutrientes e as pessoas já podem tê-los aos 10 anos de idade. O verde é um tipo de calmante. As pessoas podem consumir no máximo um por semana sem chamar a atenção dos Oficiais, e as pessoas podem tê-los a partir dos 13 anos de idade. O vermelho é um grande mistério. Apesar de muitas expeculações, ninguém sabe exatamente para que serve e só poderá ser usado sob ordens de Funcionários da Sociedade. Para ter um desses é preciso ter ao menos 16 anos de idade.
A história é toda centrada na vida de Cassia, uma menina comum, que trabalha como classificadora, assim como seu pai e seu avô antes dela. No dia do seu 17º aniversário, ela vai ao Banquete do Par conhecer aquele que fará com ela o Contrato – o casamento! O que Cassia – nem ninguém – espera é que o seu par seja Xander, seu melhor amigo.
Tudo parece calmo, até que ao chegar em casa, Cassia coloque no Terminal o microcartão que contém as informações da vida de Xander. Antes da tela se apagar, aparece a foto de outro rapaz. Um que ela também conhece: Ky.
Embora o livro não tenha tantas páginas eu teria muito o que falar sobre Destino. Desde a crítica que é feita a nossa sociedade de consumo, de excessos (de informação, inclusive), de ações tomadas visando apenas o bem próprio, até como isso, apesar de parecer exagerado também é importante. Ele nos mostra como é importante dosar tudo.
Para se ter uma ideia, a Sociedade escolheu 100 músicas, 100 poesias, 100 obras de arte que as pessoas podem usufruir. Todo o resto foi destruído. A Sociedade decide o quanto você come, o que come, a que horas come. A Sociedade decide as suas horas de lazer e que opções de lazer você tem.
Temos muita informação e ficamos estressados? Sim! Mas todos concordamos que temos que ter o direito de fazer por nós mesmos essa seleção. Assim como de nossos pares. Da quantidade de filhos e assim por diante.
O dilema todo de Cassia gira em torno da seguinte questão:
Se Ky aparece no meu cartão, significa que há um erro na Sociedade? E se existe um erro, significa que Xander pode não ser o melhor par para mim? E se for, será que meus pais são realmente feitos um para o outro?
E todas essas perguntas vão gerando outras e outras e outras… Aos poucos, Cassia vai percebendo que apesar de conhecer Ky há muitos anos, eles nunca foram tão próximos, mas agora, ele parece estar em todos os lugares que ela. No mesmo transporte diário, na mesma atividade de caminhadas e isso faz com que, aos poucos, os dois fiquem mais próximos.
Quando Cassia percebe que está sentindo por Ky algo que não deveria, começa a nascer nela a dúvida na Sociedade, nos seus critérios e nos seus padrões. Mas se ela decidir enfrentar a Sociedade, que funciona tão bem, tão perfeitamente, apenas para que ela tenha o que quer, não será egoísmo com todas as outras pessoas? Afinal, é o sistema de pares que torna possível o melhoramento genético, a felicidade entre os casais e a erradicação de doenças como o câncer, por exemplo. A decisão fica nas mãos de Cassia.
Pelo tamanho da resenha, dá pra ver o tanto que gostei e que não consigo falar pouco sobre o livro. A protagonista não é uma daquelas que chame a atenção nem pela astúcia nem pela falta dela. Ela é uma menina que foi criada praticamente dentro de uma bolha. Ela foi moldada, quase como um robô. E de repente, aos poucos, com um dado aqui, outro ali, ela começa a ver seu mundo não parecer tão perfeito.

Gosto de como a relação de Cassia e Ky vai se desenvolvendo, a partir da convivência e não de repente como estamos acostumados a ver. Ele ensina a ela como escrever (fazer letras cursivas) porque eles só usam um tipo de computador para isso. Ela conta para ele poemas proibidos.
Embora a história foque muito na vida da Cassia, em seus dias repetitivos – sim, a Sociedade faz com que todos os dias sejam praticamente iguais – ela também nos mostra aquilo que nos torna humanos: a capacidade de questionar. Este primeiro livro nos mostra muito como funciona a Sociedade e não foca muito nos seus problemas, apesar de já nos mostrar algumas coisas que estão erradas. Coisas que Cássia provavelmente vai tentar descobrir no próximo livro, Crossed.
Eu poderia ainda passar horas discutindo vários e vários pontos do livro, mas eu começaria a entrar em spoilers, e sinceramente, esse é o tipo do livro que acho bacana ler sem saber como exatamente as coisas se desenrolam.
Sobre a narrativa, ela é um pouco estanque, além de em alguns momentos a narração ser no presente e em outros, no passado. Isso incomoda um pouco e pelo que conversei com algumas pessoas, é exatamente assim em inglês. Só que nosso idioma não funcionou. Talvez precisasse ser um pouquinho adaptado. O que eu não sei é se, por contrato, isso seria permitido.
Classificação Geral: 




Confira as redes sociais do livro Destino: Site | Canal no Youtube | Twitter | Facebook | Comunidade no Orkut. Veja mais no Me Adiciona.




































