Namorado de melhor amiga é homem? Até onde devemos considerar o namorado / noivo / marido / whatever da melhor amiga como alguém fora de alcance? O que separa a amizade do amor? Essas são questões que esse livro nos levam a pensar e pode ser que a minha opinião não seja muito… Ortodoxa!

Título: O Noivo da Minha Melhor Amiga
Autora: Emily Giffin | Editora: Nova Fronteira
Sinopse: Rachel White é uma jovem advogada nova-iorquina, que sempre sonhou em encontrar um grande amor.
No dia do seu aniversário de 30 anos, sua melhor amiga Darcy organiza uma festa para ela, e Rachel é surpreendida por um acontecimento inesperado: nessa noite, depois de uns drinques a mais, ela acaba na cama com Dexter Thale, o bom e velho amigo de faculdade… que está noivo de Darcy. Embora acorde determinada a deixar para trás a aventura de uma noite, Rachel se assusta ao perceber que está irremediavelmente apaixonada pelo único cara do qual deveria manter distância. Decidido a esclarecer tudo, Dex liga para Rachel no dia seguinte. Ela fica emocionada e confusa ao ouvi-lo dizer que não estava bêbado na noite anterior e que não se sente culpado por ter traído a noiva. Os telefonemas vão se intensificando e novos encontros vão sendo marcados, numa bola de neve que leva Rachel a um beco sem seída. Nem em seus sonhos mais fantasiosos ela se imaginaria numa situação dessas. A data do casamento se aproxima, e Rachel sabe que tem de fazer uma escolha: ser leal à amiga ou aos seus próprios sentimentos.

Antes de começar a falar desse livro deixe-me esclarecer duas coisas: 1) eu usei a capa original do livro porque acho linda, rosa e combina com o tom pastel do blog e porque a capa nacional é meio brega a nova é linda demais!; 2) Apesar do texto a seguir, que fique claro que eu nunca peguei namorado / noivo / marido / whatever das minhas melhores amigas (acho bom elas virem se pronunciar e me defender aqui) e nem de amiga nenhuma. Dito isso, vamos ao livro.

Narrado em primeira pessoa, O Noivo da Minha Melhor Amiga – no original Something Borrowed – conta a história de Rachel, uma moça trabalhadora, dedicada, certinha e prestes a completar 30 anos ainda solteira. Vejam bem, eu conheço essa história. Observem trechos que, embora não tivessem sido ditos por mim, eles se encaixariam perfeitamente em minha vida…

Aos 29, um verdadeiro pavor se instalou, e eu me dei conta de que de certo modo era como se eu já tivesse trinta. Mas nem tanto. Porque ainda poderia continuar dizendo que tinha vinte e poucos. Ainda tinha algo em comum com estudantes universitários em vias de se formar.

De repente me ocorre que eu poderia me ajeitar com o barman. Estou totalmente desimpedida — nem ao menos saí com alguém nos últimos dois meses. Mas não me parece uma coisa que alguém devesse fazer aos trinta. Viver uma aventura de uma noite é para meninas que estão na casa dos vinte.

Meus desejos são simples: um trabalho de que eu goste e um cara que eu ame. E na noite do meu trigésimo aniversário tenho de reconhecer que estou perdendo por 2 a 0.

Olha, não é fácil reconhecer isso sem temer virar piada, mas chegar aos 30 anos não é nada fácil. A verdade é que o mais complicado de tudo é pensar que você já tem 29 e não dá para fazer contagem regressiva. É fato! Você vai chegar aos 30 anos. Bem, a não ser que você morra antes, mas eu te juro, vai perder toda a diversão! Se tem algo de bom nisso, é que quando você chega, percebe que é a mesma merda de ter 29 ou 31 (ou 32, no meu caso). At least now I’m in my thirties… I can hold my drink. Bem, isso também não é exatamente verdade…

Sabem, como diria a Inacessível Rainha do Gelo, citando seu melhor amigo, a coisa funciona mais ou menos assim…

Tom tem uma teoria de que homossexuais e mulheres solteiras quando chegam aos 30 anos criam uma ligação natural porque ambos já se acostumaram a desapontar os pais e a serem tratados como malucos pela sociedade.

Ah, verdade… Esse livro não trata apenas de fazer 30 anos, não estar casada e ter um emprego que – apesar do retorno financeiro – não tem glamour. Apesar dessas serem características de nossa personagem, eu quis trazer o assunto à baila – gente, quem ainda fala isso? – para que vocês percebam o quanto a Emily Giffin escreveu uma história, embora recheada de clichês é ainda autêntica.

Voltando ao livro, O Noivo da Minha Melhor Amiga nos faz questionar sobre até onde devemos nos anular, abrir mão de nossos desejos, de nossa felicidade em prol da felicidade e bem estar de nossos amigos. Não vou dizer que acho legal sair dando em cima do namorado de amiga nenhuma, porque não acho. Antes de qualquer coisa, acho falta de respeito dar em cima de homem casado / noivo / ocupado mas se ele for um gato, gostoso e tiver braços tatuados eu não ligo, uma vez que vou mesmo para o Inferno.

No caso em questão, não é uma coisa de dar em cima do cara, dormir com ele e pronto. Rachel realmente gosta de Dexter e é correspondida, mas o medo que eles têm de magoar Darcy fala mais alto e eles acabam empurrando com a barriga toda e qualquer possibilidade de decisão.

O fato deles realmente se gostarem e não ser apenas uma aventura baseia todo o raciocínio do post, portanto, isso deve ser levado em consideração!

Dexter declara logo no início que não se sente culpado pelo que está acontecendo entre eles, o que não acontece com Rachel que passa por várias situações complicadas com a melhor amiga, tendo que encará-la e ao mesmo tempo, ficando com seu noivo.

Enquanto a história se desenvolve, vamos vendo o quanto Darcy é mesquinha, malvada e competitiva. É daquelas mulheres que quer sempre ser a melhor em tudo e principalmente, melhor que Rachel. Darcy é tão ruim que esnoba Rachel em toda e qualquer circunstância. Talvez ela nem faça isso por maldade, seja um ato inconsciente. Apesar de que, consciente ou não, quem precisa de uma amiga assim?

- Porra, Rachel. Vê se não perde o impulso – ela tira o chiclete da boca e embrulha num guardanapo. – Quero dizer, não vai deixar esse escapar… Você não vai conseguir nada melhor.

Infelizmente, a melhor amiga em questão é além de mesquinha, malvada, competitiva e infantil, é também uma chata. E isso significa que a leitora – vou me limitar a esse público, ok – vai torcer muito para que ela leve uma boa lição! Mas e se ela fosse legal? Se ela fosse uma ótima amiga, torceríamos pelo amor de Rachel e Dex ou acharíamos que Rachel é egoísta e não pensa na amiga?

Bem, enquanto eu estava pensando sobre isso, Nietzsche me veio a cebeça. Peraí, Lívia, o que Nietzsche tem a ver com chick-lit? Bem, com chick-lit, talvez nada, mas com egoísmo e culpa, eu te garanto que muito!

Que é o altruísmo cristão senão o egoísmo coletivo dos fracos que descobre que, se todos velarem uns pelos outros, cada um será conservado por maior tempo?
Friedrich Nietzsche – Genealogia da Moral

Quando você tem alguma atitude pelo próximo, tem certeza de que é por ele ou porque isso vai deixar você com a consciência tranquila e tendo a certeza de que fez o seu melhor? E se foi pelo segundo motivo, não está você sendo um tanto egoísta pensando na sua consciência?

Tomemos o exemplo de Rachel: se Rachel abre mão de seu amor para não machucar a amiga, é porque ela ama Darcy? E o amor não está mais relacionado a ela do que a Darcy efetivamente? Ou não estará ela apenas evitando de sentir-se culpada? E se ela abre mão de seu amor, não se sente culpada mas se sente infeliz… Ela também não vai estar pensando nela?

Ou seja, no fim das contas, tudo o que você faz, em última análise, não é pelo outro é por você mesmo. E este é um caso clássico de “abrir mão por medo da culpa” ou “buscar a felicidade e viver culpada”. O altruísmo, é apenas uma forma de disfarce para a incapacidade de descobrir os próprios interesses, que no final podem ser muito diferentes, mais intrínsecos e inconscientes que o desejo inicial.

Por fim, é um livro delicioso de ler que entrou para a lista dos meus chick-lits favoritos. Adorei a Rachel por um milhão de identificações, o Dexter por não ser fofo o tempo todo, mas também um grande babaca de vez em quando – não pode ser fofo o tempo todo, tem que dar umas pisadas de bola – e achei a história completamente verossímil. Como falei antes, ela é cheia de clichês e um deles é “a melhor amiga é traída porque ela é uma pessoa desprezível” e eu achei que a Emily poderia ter feito isso diferente, embora a Darcy seja uma personagem que eu ame odiar!

Classificação Geral:

A história é tão boa, gostosa e viciante que Hollywood se rendeu a ela este ano estreia um filme, com Kate Hudson, Ginnifer Goodwin e Colin Egglesfield nos papéis principais. Confira aí o trailer!

Além desse livro, tem também o Something Blue, que é a mesma história, na versão da Darcy, a amiga traída – Cibele, me corrija se eu estiver errada. Esse ainda ainda não foi lançado no Brasil. E por falar em lançamento no Brasil, a Editora Novo Conceito está lançando um livro da Emily Griffin chamado Questões do Coração, cujo personagem principal é Tess, irmã do Dexter de O Noivo da Minha Melhor Amiga.