Resisti um pouco a fazer essa resenha porque chorei metade do livro e terminei da mesma forma. A história mexeu comigo de uma infinidade de maneiras, mas como estou recomendando muito, resolvi resenhar. Apesar dos clichês, é uma história linda, emocionante e algumas vezes, dolorosa.

Título: Just Listen
Autora: Sarah Dessen | Editora: Farol
Sinopse: Depois de ter sido pega com o namorado da melhor amiga numa festa, Annabel Green começa o ano letivo sozinha e sendo ignorada pelo resto da escola. Mas o que realmente aconteceu naquela noite ainda é segredo, que ela não se arrisca a contar para ninguém. Os problemas de Annabel são explicitados pela recusa da família em admitir os próprios problemas, a fissura da mãe para que as filhas virem modelos famosas e Whitney, a irmã do meio, que sofre de anorexia. Uma amizade com Owen, o DJ da rádio comunitária, que tenta constantemente ampliar os gostos musicais de Annabel, fará a tímida jovem aprender a falar a verdade, doa em quem doer.

O livro é narrado por Annabel que conta seu presente intercalando com acontecimentos do passado, nos quais vamos conhecendo melhor seus pais e suas irmãs, além dela mesma. Annabel é a-melhor-amiga-sombra-da-garota-popular, é modelo, e tinha tudo para ser aquela que pouco se incomoda com os sentimentos alheios. Apenas pelo fato de ela não ser assim. Ela é daquelas que guarda tudo para si mesma porque não quer magoar aqueles que ela ama. E nem sempre isso é a melhor saída.

Annabel sofre em silêncio com o pai ausente, a mãe que se realiza nas filhas que fazem trabalho como modelo e uma irmã que está em tratamento para anorexia. Como se não bastasse isso, ela esconde um segredo que também a faz sofrer. Quando ela é pega com o namorado de Sophie (a garota popular) sua vida social acaba. O ano letivo recomeça e ela começa a andar sozinha, é alvo de olhares e piadinhas maliciosas. Até que, no que parece ser um dos piores dias de sua vida escolar, Owen aparece para literalmente dar uma mão! E uma carona! Começa então uma amizade sincera – no sentido mais estrito da palavra – na qual Annabel começa a conhecer de verdade a pessoa por trás de toda a aparência grande e perigosa.

“Mas havia algo em Owen Armstrong que me dava medo: ele era sincero e esperava o mesmo de todo mundo. E aquilo me deixava apavorada.” Annabel (Just Listen)

Owen não só é verdadeiro – ele não mente nunca – como é viciado em música. Passa o tempo todo com o iPod no ouvido e é a partir dessa relação com a música que a relação com Annabel começa a ficar mais forte. E foi aí que o livro me pegou. Assim como Owen, não consigo admitir um mundo sem música, o silêncio me incomoda.

“Música é uma constante total. É por isso que temos uma forte conexão visceral, sabe? Porque uma canção te leva de volta imediatamente para um momento, ou um lugar, ou até mesmo uma pessoa. Não importa o que mudou no seu mundo, aquela canção diz o mesmo, exatamente como naquele momento.” Owen (Just Listen)

O livro me fez chorar em vários momentos, principalmente nos quais Annabel nos mostra o quanto sofre com suas ações do passado. Ou para ser mais exata, suas omissões. Como ela aprende com Owen, não contar o que está acontecendo também é uma forma de mentira.

“Era tarde demais para mudar o que tinha acontecido entre Clarke e mim, mas ainda havia tempo para mudar outra coisa. Talvez a mim mesma. Então, fui procurar Owen.” Annabel (Just Listen)

Annabel é uma protagonista cativante e a sua maneira, muito forte! É preciso força para não deixar o mundo te derrubar e mais forte ainda para não levar outras pessoas com você. Mas é preciso muito mais força para tomar uma atitude e fazer aquilo que é preciso. E é isso que ela aprende com Owen, com suas músicas…

Fora isso, o livro é cheio de referências musicais, de The Clash a Led Zeppelin. E foi ótimo, porque quase sempre eu leio com fones no ouvido e dessa vez eu não estava e podia ficar cantarolando “Should I Stay Or Should I Go” e “Thank You” o tempo…

O ponto negativo fica por conta da editora que o trouxe para o Brasil. Além da capa que nem de longe transmite a beleza do livro, a tradução e revisão pecaram um pouco. Quase no final, em um diálogo de Owen com um amigo de uma banda, são usados muitas gírias como “Meu” e “Velho”, as duas gírias que eu mais tenho asco na vida. Pior que isso, só se usar as variações “véio” ou “véi”. Ignora tudo isso e corre pra ler esse livro!

Classificação Geral:

E não, eu não escrevi tudo o que senti durante a leitura porque precisaria recontar todo o livro, dar spoilers e essas coisas todas…

Como eu falei da capa, e várias pessoas comentaram isso comigo, resolvi compartilhar com vocês as capas pelo mundo. A minha favorita, pela criatividade, é a do Reino Unido. Também gostei da capa alemã porque… é alemã!


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