Bom, o Quinta em outra língua, é um meme proposto pela Giu Fernandes, do Amount of Words e a ideia é postar, as quintas, um livro que você tenha lido em outro idioma.

Esse foi um livro que eu comprei junto com “The Unwriten Rule” porque tratam da mesma questão e tive vontade ler dois livro com a mesma temática e autores diferentes. E algo que não fosse sobrenatural, obviamente. Depois de Twenty Boy Summer, eu estou dando chance a outros tipos de leitura.

Título: Something Like Fate
Autor: Susane Colasanti | Editora: Viking Juvenile
Sinopse: Lani e Erin são melhores amigas ao longo da vida – e opostas totais. Lani é taurina (um signo de terra) e Erin é leonina (signo de fogo). Lani gosta de fazer suas próprias coisas; Erin prefere um séquito. Elas sempre tiveram gostos totalmente diferentes, desde sabores de pizza até rapazes. Isto é, até Erin começar a namorar Jason. A partir do minuto em que Lani conhece Jason, ela não pode negar a ligação incrível que sente por ele. É como se eles já conhecessem por toda a sua vida. Ela não tem certeza se ele sente o mesmo, mas mesmo se ele sinta, isso está fora dos limites. Lani está decidida a ignorar seus sentimentos por Jason, não importa o quão poderosos sejam, ao invés de machucar sua melhor amiga. Então Erin vai embora para as férias de verão – e Jason parece surgir em qualquer lugar que Lani esteja. Quanto tempo ela pode continuar correndo do cara que poderia ser o amor da sua vida?
- Tradução livre

Something Like Fate foi uma leitura um pouco complicada porque já começou me incomodando. Ainda no quarto capítulo eu já achava algumas coisas bem repetitivas na linguagem. A narrativa acontece em primeira pessoa, mas toda vez que ocorre da narradora (Lani) usar um discurso indireto ela fazia quase sempre da seguinte forma:

She was like: “Oh Jason is so cute”.

Esse “she was like” se repete infinitamente no livro e eu entendo que a autora até quisesse deixar tudo muito próximo a como os adolescentes falam, mas nem tudo que funciona a linguagem oral tem o mesmo efeito na linguagem escrita e esse foi um dos casos. Eu fiquei na dúvida se ela teve a intenção de usar uma forma mais coloquial, ou realmente não sabia fazer de outro jeito, mas isso não vem ao caso. Tirando essa questão, a leitura foi até bem fácil, ainda mais considerando o meu quase-inesixtente-inglês.

Outra coisa que me incomodou foi a construção da personagem. A Lani não é uma pessoa ruim nem nada. Eu só não seria amiga dela porque ela é uma daquelas ecochatas! Ela é engajada em questões de meio ambiente, a mãe é ecologista e pai constróis casas ecologicamente corretas. Ela é presidente do Clube Junior na escola e sim, ela é insuportável nessa questão ecológica.

Eu não economizo água, não reciclo lixo e tenho dentes incisivos e caninos e um organismo capaz de absorver Vitamina B12 apenas de carne vermelha, o que significa que eu nasci para me alimentar de carne. E não, eu não tenho a menor pena de ver um coelhinho banquinho e fofinho sendo abatido para servir de jantar.

A verdade é que eu construiria Lani com um outra história, sabe. Sei lá, eu acho essa parte da vida dela muito enjoadinha de ler e eu realmente impliquei com isso, mas se fosse só isso, eu talvez nem teria mencionado esse fato, porque Lani é responsável, focada, mas ao mesmo tempo, é apaixonada e viciada em sinais do destino e em horóscopos. Apesar de seus sentimentos por Jason, sua lealdade fala mais alto e ela vive em um grande conflito.

Erin, melhor amiga de Lani é o oposto dela, como se pode ver pela sinopse. Enquanto a Lani é centrada, focada e tímida, a Erin é atirada, cheia de auto-confiança. O que me incomoda em Erin é o mesmo que me incomoda em várias outras “melhores-amigas-de-protagonistas”: sempre que elas aparecem, elas estão às voltas com sua própria vida, e querem que a protagonista a ouça e entenda o porque seu namorado lindo (normalmente um cafajeste) é tão maravilhoso e yadda yadda yadda… Eu poderia citar ao menos cinco “melhores-amigas-de-protagonistas” desse tipo. Diferente de Erin, Lani é uma personagem que cria uma empatia com o leitor e o deixa entrar em sua vida, em seu sofrimento.

A história tem um tom um pouco amargo e talvez não seja isso que os leitores esperam. Ao mesmo tempo a Susane foi muito feliz ao abordar toda essa relação entre amigos, namorados e namoradas, e os adolescentes com os seus pais. Jaso, o melhor-amigo-gay (sim, é clichê, mas nem tanto) tem uma relação complicada em casa. Sua mãe casou novamente e se mudou para longe e eles nunca se veêm. Seu pai jamais aceitaria que ele fosse homossexual e ele sonha em ir logo para a Universidade para poder ser quem ele realmente é.

Conforme a relação de Lani com Erin e seus outros amigos vai ficando mais complicada, ela é obrigada a amadurecer e é aí que seu caráter é reforçado. O tempo todo, Lani lida com sentimentos de amizade, de amor e sensação de traição – não só a melhor amiga, mas a si mesma, aos seus sentimentos.

Sobre a história em si, eu adorei! Não tem como não torcer para que Jason e Lani fiquem juntos porque ele é legal, ela é legal e embora Erin tenha chegado primeiro, ela é chata! Jason e Lani certamente têm uma química que você não consegue perceber quando se trata de Erin.

A capa é quase um personagem a parte. Se você quer ler esse livro, fique bem atento a ela. Em algum momento você vai se rir se dando conta do quanto a capa tem a ver com a história. O que posso dizer além, é que o livro tem um tom muito realista, do começo ao fim. Nem toda história é um conto de fadas…

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